Quando começa a sexualidade? Com qual idade a criança manifesta interesse sexual? Por que é importante trabalhar sexualidade na infância?

Como sempre recebo esse tipo de pergunta, resolvi entrevistar uma psicóloga que conta um pouco da sua experiência com crianças de 4 a 6 anos.

1.Qual a sua concepção de sexualidade?

A minha concepção de sexualidade é aquela que se adequa ao desejo do sujeito, ou seja, aquela com a qual o indivíduo se identifica. Sexualidade é construído individualmente e socialmente através dos laços culturais.

2. Quando acredita que a sexualidade começa a se desenvolver no ser humano? Por quê?

A sexualidade começa se desenvolver desde a hora que ele nasce. Porque é o primeiro contato com seu mundo real.

3. O que considera como manifestações sexuais na infância?

Tudo aquilo que dá prazer a criança: por o dedo na boca, amamentação, toques, etc…

4. Acredita haver manifestações sexuais na criança com idade de 0 a 3 anos? Se sim, o que considera sexual nesta faixa etária? Se não, por quê?

Sim, amamentação no seio, por o dedo na boca, toque nos genitais. São sexuais porque são ações que evocam prazer.

5. Acredita haver manifestações sexuais na criança com idade de 4 a 6 anos? Se sim, o que considera sexual nesta faixa etária? Se não, por quê?

Sim. Essas manifestações ocorrem a partir do toque. Algumas crianças se tocam, estão conhecendo seu corpo e conhecendo o que as dá prazer também.

6. Já presenciou alguma situação de manifestação sexual na infância? Descreva a situação.

Sim, várias. Crianças se esfregando em brinquedos no momento do parque. Esfregando suas genitais contra brinquedos (trepa-trepa, mesas de cantos arredondados).

7. O que pensaria e como agiria diante das perguntas das crianças sobre “como nascem os bebês”?

Depende do que a criança quer saber. As vezes a malícia está na cabeça do adulto. A criança pode só estar perguntando como ela nasceu, aí a resposta deverá ser adaptada: da barriga da mamãe, fomos no hospital e o médico tiro você de dentro da mamãe. Agora, se a criança estiver querendo saber sobre o ato sexual, também deve ser um assunto tratado com naturalidade, mas sempre com a linguagem adaptada.

8. O que pensaria e como agiria se encontrasse crianças tentando ver os órgãos sexuais umas das outras?

Tentaria entender por quê querem fazer isso, perguntando-as: “Fulana, o que você está querendo ver aí? Está curiosa?”. A partir de sua resposta, uma das possibilidade de manejo seria explicar que todos nós temos as nossas partes íntimas, e normalmente elas são mostradas em momentos íntimos. Existe uma diferença anatômica entre o pênis e a vagina e as crianças vão notar isso.

9. O que pensaria e como agiria diante de uma criança que se masturbasse em aula?

Depende. Se é uma situação que eu preciso da atenção dela (roda, tarefa), eu chamo sua atenção, não como uma forma de repreensão, mas como um chamado que seria igual se ela estivesse fazendo qualquer outra coisa. Se ela está fazendo isso no parque eu acho que eu direcionaria sua atenção para outra atividade. Porém, conversaria com ela sobre uma questão de privacidade, se esse assunto surgisse. Diria que talvez fosse melhor mexer nessas áreas num ambiente mais recluso, e perguntar qual é sua opinião, certificando de que ela entendeu meu pedido.

10. O que considera ser o papel da escola e o papel dos pais no ensino dos conteúdos relacionados à sexualidade das crianças?

Acho que não existe essa divisão. Acredito que a escola e os pais devem trabalhar conjuntamente para que a sexualidade infantil seja vista como uma curiosidade. Porém, no caso de ignorância dos pais, é papel da escola, como portadora desse conhecimento, apresentá-lo aos responsáveis pela criança.

11. Em que situações os pais devem ser convocados pela escola para uma parceria de trabalho no que se refere à sexualidade infantil?

Acho que os pais sempre devem estar cientes da presença da sexualidade na criança. É importante que haja uma conscientização disso. Porém, eles devem ser chamados em situações que fogem do “comum” como uma situação que fere a integridade do grupo, ou que provoque sofrimento a alguma das partes.

12.A sexualidade é um tema que deve ser trabalhado pela escola? Por que e de que maneira?

Sim, sempre. A escola deve sempre conversar sobre temas a medida que eles apareçam em sala de aula. A sexualidade deve ser conversada sempre de maneira natural, para não ser repreendida e se transformar em tabu. Conforme as crianças forem crescendo a linguagem deverá ser adaptada, para que na escola, pelo menos, seja um ambiente seguro para conversar sobre isso.

 

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One thought on “Como abordar sexualidade na infância – entrevista com psicóloga

  1. Estava no banco e um menino de quase quatro anos saiu do colo da avó enquanto ela conversava com a filha, e ele se afastou da avó e ficou esfregando o bumbum na minha perna,e brincando muito à vontade (como quem está procurando aconchegar-se no colo, a forma que ele fez) mas achei um pouco estranho,como a mãe dele estava distraída não percebeu que eu sinalizei para ele ver o que estava acontecendo mas logo após ele parou,colocou a mão na minha coxa,e foi passando a mão na região do meu seio; então a mãe dele o indagou,que era para ele explicar o por quê de estar com a mão no meu corpo.E enquanto brincava com a avó ele colocou as mãos por baixo da saia dela (ela estava sentada)…então agora a mãe estava de pé e o menino segurando entre as suas pernas parecia querer ficar com a mão entre a genitália dela.Ele ainda olhava para o meu busto como se tivesse percebendo um corpo feminino.Confesso que fiquei meio encabulada,achei exagerado o comportamento dele.Como a mãe chamou a atenção dele com a voz um pouco elevada,disse para eles que só a mãe e a avó é quem poderia tocá-lo da mesma forma.
    Crianças,requer total atenção e orientação.

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